segunda-feira, junho 28, 2010
NOTAS MAIS NOTAS MAIS NOTAS...
NOTAS COM OUTRAS PALAVRAS
1)- “Os sacrifícios devem ser repartidos de forma equitativa e justa” – palavras proferidas no dia 10 de Junho de 2010, pelo Presidente da República.
Daqui a alguns ano, aquando da possível inauguração de uma estátua de Sua Excelência, quem se recordará e interrogará acerca do estranho sentido que se quis dar a palavras como “equidade” e “justiça”, bem como quem recordará como foi possível Cavaco Silva apoiar uma repartição de sacrifícios decretada por sucessivos PEC’s, pondo pobres, desempregados, pensionistas e trabalhadores a pagar uma crise que, infelizmente, apenas encheu os bolsos dos principais responsáveis por ela? Mais, quem se recordará ainda do modelo selvagem de crescimento que impôs ao País quando foi primeiro-ministro, assente principalmente no aumento das desigualdades sociais e da pobreza?
2)- Sejam especialistas em economia, sejam professores catedráticos, sejam ex-Ministros das Finanças, sejam os iluminados que juntam as três qualidades, quando chegam à televisão, meio privilegiado para comentários gongóricos, dizem todos a mesma coisa: “Estamos à beira do precipício, acabou-se a festa, não há dinheiro para a Saúde, nem para a Educação, muito menos para pagar reformas. Este discurso catastrofista contamina-nos a todos, ainda pelo facto de terem feito previsões em devido tempo. Infelizmente os nossos políticos são incompetentes e ainda mais infelizmente o nosso povo é ignorante.
3)- Em tempos que já lá vão, um governo achou que o País padecia de estradas muito más e prometeu resolver esse problema. Fez uma rede de auto-estradas e anunciou que os utilizadores não as pagariam. É claro que muitos portugueses duvidaram da viabilidade dessa intenção, vaticinando alguns que se tratava de uma ruína financeira. Os anos passaram. De repente os políticos inverteram o discurso. Comunicaram ao País que, devido ao facto das auto-estradas não se pagarem a sí próprias, e por esse facto, mesmo sem pedir desculpas por estarem a desdizer uma das suas promessas eleitorais, o Governo mudou radicalmente de opinião e, seca e verticalmente notificou o País, sem lhe apresentar uma justificação, demonstrando cabalmente a falta de transparência e do indisfarçável desprezo que os políticos que estão no Governo nutrem por quem os elege. Note-se, entretanto que estas novas normas apenas se referem à zona norte do País.
A intenção governamental ofende o princípio da igualdade entre os cidadãos. Será que a nossa memória nos poderá levar ao tempo em que o Governo de Salazar construiu a ponte da Arrábida e que também ali queria implementar portagem. Naquele tempo, apesar da ditadura feroz que pairava no ar, as pessoas insurgiram-se e a vontade do Terreiro do Paço não foi por diante.
Hoje a ditadura não é política – porém exibe uma roupagem diferente e um linguajar técnico para adormecer o Povo – SE NÓS O QUISERMOS, AS PORTAGENS NÃO EXISTIRÃO.
4)- “Há alguma razão para que – tal como já anunciaram a Alemanha e outros – não se crie um novo imposto sobre transacções financeiras, e se taxem as transferências para paraísos fiscais, destinadas a fugir aos impostos (e que em 2009 atingiram mais de 11.000 milhões de Euros, quase tanto como o défice do País?). Há alguma razão para que a Banca (com lucros de 5 milhões de Euros por dia), continuem a merecer benefícios fiscais que lhes permite pagar de IRC uma taxa inferior a 14%, quando as pequenas empresas pagam uma taxa efectiva de 25%?.
5)- Tudo se discute neste Mundo, menos a democracia. Esta vem sendo amputada, sequestrada, condicionada, etc… O poder do povo limita-se apenas na esfera política a retirar do poder um Governo de que não gosta, colocando em seu lugar outro de que parece gostar. Temos aqui semelhanças com os Clubes de Futebol, sendo que as discussões se situam entre os adoradores do Benfica, do Sporting e do Porto. As grande decisões são normalmente tomadas numa esfera não democrática, pois como se sabe, quem escolhe os representantes nas grandes organizações europeias e internacionais, não tem nada a ver com democracia. Vivemos pois numa ditadura económica, num capitalismo autoritário. O conceito de cidadão foi substituído pelo de cliente. No momento presente esta democracia apenas se revela no período das eleições, quando se pede ao cidadão que coloque um p0apel numa urna de voto. Os governantes apenas estabelecem as leis, mas não mandam nelas, pois quem manda são as grandes empresas multinacionais que através do seu grande poder financeiro tudo controlam.
POR HOJE CHEGA. PASSEM BEM E SEJAM FELIZES!
quinta-feira, junho 24, 2010
PARA QUE O MUNDO NÃO ESQUEÇA!
PARA QUE NUNCA SE ESQUEÇA!
Primeiro-Ministro britânico pede desculpa pelo "DOMINGO SANGRENTO"
O Primeiro-Ministro britânico, David Cameron, desculpou-se publicamente nesta terça-feira (15/06) pelo massacre conhecido como "Bloody Sunday" (Domingo sangrento). Por ocasião da divulgação do longamente esperado relatório, Cameron desculpou-se: "Em nome do governo, eu lamento profundamente".
"Bloody Sunday" - Em 30 de Janeiro de 1972, durante uma manifestação pelos direitos civis na cidade Norte-Irlandesa de Londonderry, paraquedistas das Forças Armadas britânicas dispararam contra um grupo de manifestantes católicos desarmados, matando 13 deles. Um 14º morreu devido aos ferimentos, meses depois. Em consequência, acirrou-se o conflito entre católicos e protestantes no país, com a ocorrência de diversos atentados terroristas do Exército Republicano Irlandês (IRA) nos meses seguintes, em represália. Todos os anos ocorre, na cidade palco do massacre, uma manifestação em memória às vítimas. Por motivos políticos, os Norte-Irlandeses católicos retiraram o "London" do nome da cidade, denominando-a apenas "Derry". Até então, a tragédia não teve quaisquer consequências jurídicas para os soldados responsáveis. Pouco depois do "Domingo sangrento", uma comissão convocada por Londres concluiu que os soldados haviam agido em legítima defesa. Um tribunal inglês igualmente definiu o ocorrido como um acto de defesa dos militares de elite contra terroristas irlandeses. Em 1998, o então Primeiro-Ministro britânico Tony Blair decretou a abertura de um novo processo, em apoio ao processo de paz na Irlanda do Norte. Familiares das vítimas e o governo apresentaram novos indícios e iniciaram-se os primeiros inquéritos públicos com o fim de investigar detalhadamente os fatos. Justiça difícil e morosa.
O processo, em que foram ouvidas cerca de 900 pessoas, consumiu 12 anos e o equivalente a 230 milhões de euros. Ao anunciar o relatório conclusivo de 5 mil páginas, nesta terça-feira em Londres, o Primeiro-Ministro David Cameron observou: "Não há dúvida, o que aconteceu no
Havia temores de que o relatório reabrisse velhas feridas. Porém em Londonderry, segunda maior cidade da Irlanda do Norte, sua divulgação foi saudada pelos familiares das vítimas, ao lado de milhares de outros irlandeses. O Vice Primeiro-Ministro Norte Irlandês Martin McGuinness disse não acreditar que o relatório reabra feridas. Na época do massacre, ele era o segundo comandante do grupo militante católico IRA em Londonderry. "A minha esperança é que esta seja uma exposição muito clara do terrível acto cometido naquele dia pelo Estado e pelas Forças Armadas britânicas. E que ela contribua para que nunca, nunca mais vejamos actos como esse, em nenhuma comunidade." Em contrapartida, o partido DUP (Democratic Unionist Party), basicamente protestante e liderado pelo Primeiro-Ministro Norte Irlandês Peter Robinson, criticou o inquérito por criar uma "hierarquia das vítimas": "Mais de 3.500 pessoas foram mortas durante
Ver: http://www.dw-world.de/dw/article/0,,5687584,00.html
quarta-feira, junho 23, 2010
ESTOU FURIOSO!!!!!!!
PORQUE ESTAMOS NA FALÊNCIA?
420.000,00 € TAP administrador Fernando Pinto
371.000,00 € CGD administrador Faria de Oliveira
365.000,00 € PT administrador Henrique Granadeiro
250.040,00 € RTP administrador Guilherme Costa
247.938,00 € ISP administrador Fernando Nogueira
245.552,00 € CMVM Presidente Carlos Tavares
233.857,00 € ERSE administrador Vítor Santos
224.000,00 € ANA COM administrador Amado da Silva
200.200,00 € CTT Presidente Mata da Costa
134.197,00 € Parpublica administrador José Plácido Reis
133.000,00 € ANA administrador Guilhermino Rodrigues
126.686,00 € ADP administrador Pedro Serra
96.507,00 € Metro Porto administrador António Oliveira Fonseca
89.299,00 € LUSA administrador Afonso Camões
69.110,00 € CP administrador Cardoso dos Reis
66.536,00 € REFER administrador Luís Pardal
66.536,00 € Metro Lisboa administrador Joaquim Reis
58.865,00 € CARRIS administrador José Manuel Rodrigues
58.859,00 € STCP administrador Fernanda Meneses
51.892.820,00 € = Valor do ordenado anual (12 meses + subs Natal + subs férias); 926.657,50 € Média Prémios. TOTAL……52.819.477,50 € ( 900,00 € Média de um funcionário público); (58.688 - nº de funcionários públicos que dá para pagar com o mesmo dinheiro)
MAS NÃO ESTÃO CÁ TODOS...E DEPOIS AINDA QUEREM SABER SE A “MALTA” ESTÁ DISPOSTA A ABDICAR DO SUBSÍDIO DE FÉRIAS E/OU NATAL PARA AJUDAR O PAÍS...
sexta-feira, junho 18, 2010
AFINAL, A SAÚDE NÃO SERÁ UM BEM PRECIOSO?
Mais de 1,3 milhões de pensionistas em risco de perder apoios na saúde
Denise Fernandes e Cristina Oliveira Silva, in SAPO.pt
O Ministério da Saúde, tutelado por Ana Jorge, atribui isenção de taxas moderadoras a pensionistas de baixos rendimentos. Taxas moderadoras, comparticipação de medicamentos, bolsas de estudo e apoios na Função Pública também são abrangidos pelo novo diploma. Pelo menos 1,3 milhões de pensionistas que recebem apoios do Estado na comparticipação de medicamentos e que estão isentos das taxas moderadoras estão em risco de perder estas ajudas a partir de 1 de Agosto, quando entrar em vigor a lei que aperta o acesso aos apoios sociais. Questionado pelo Diário Económico, o Ministério do Trabalho não revela o total de pessoas que serão afectadas pelos cortes ou reduções dos apoios sociais salientando apenas que existem 1,7 milhões de beneficiários de apoios por encargos familiares, rendimento mínimo e subsídios sociais de desemprego e parentalidade. O acesso a estas prestações passa agora a depender de regras mais rígidas ao nível dos rendimentos e das características do agregado mas o decreto-lei não se fica por aqui. Igualmente abrangidas estão as comparticipações de medicamentos e pagamento de taxas moderadoras quando estas ajudas dependem do nível de nível de recursos. A medida irá assim afectar os pensionistas com reformas mais baixas mas cujo agregado conta com outros rendimentos e que estão isentos de taxas moderadoras.
Segundo os últimos dados do Ministério da Saúde, referentes a 2006, mais de 1,3 milhões de pensionistas que recebiam uma reforma inferior ao salário mínimo estavam isentos de taxas moderadoras. E 1,37 milhões de pensionistas estavam abrangidos pelo regime especial de comparticipação de medicamentos. Também na Educação estão previstos cortes nos apoios sociais no âmbito da acção social escolar e no ensino superior público. Em risco poderão estar os cerca de 75 mil alunos universitários com baixos rendimentos que recebem bolsas de estudo suportadas pelo Estado. E a Função Pública também não fica de fora, podendo ser afectados os cerca de 16 mil apoios sociais e subsídios atribuídos actualmente.
ALGUNS COMENTÁRIOS:
1.- Que belo incentivo à poupança...é triste ver uma medida destas...O problema do país está nos gastos do estado e não na receita. Mas diminuir despesa é mais difícil, falta de coragem…
Depois andamos anos a viver para além do que podíamos, mas claro, em Portugal só se toma medidas quando tem mesmo que ser. O país é como uma família ou empresa, se não se tomar medidas para conter despesas e guardar algum dinheiro no tempo das vacas gordas…quando já estiverem magras já não há nada a fazer...Depois tomam-se medidas de urgência, com o objectivo de o barco não ir ao fundo, sem pensar no resto da viagem.
2.- velhos preparai-vos para a morte ...Boys do PS e PSD vós sim tendes o direito de não descontar para a crise, vos sois filhos de outra mãe, filhos da corrupção e da mentira, irmãos das sanguessugas e soldados de todos os Pinóquios deste pais!
3.- Lembremo-nos dos erros que foram cometidos ao longo de muitos anos e chegamos á conclusão de que isto não podia continuar assim, quando se pagava para abater a nossa frota pesqueira, quando se desencentivou a nossa agricultura porque o país não era arável, levando muita gente a sair para essas empresas multinacionais que agora saíram do país. Temo é que com estas medidas vão sofrer os mais fracos como sendo os idosos, os acamados, as crianças cujos pais sofrem o desemprego, enfim vítimas de medidas de uma Europa rica e que se dizia unida.
quinta-feira, junho 17, 2010
VAMOS VER-NOS GREGOS??????
Vejam o que as TV´s não mostram...
Devagar, devagarinho, estão-nos a fazer o cerco. A UE está ao serviço dos mesmos do costume, desafio-vos a ver e a reflectir nesta intervenção feita no Parlamento Europeu por um eurodeputado francês. As televisões reféns do sistema, calam estas intervenções onde são denunciadas as canalhices feitas pelas maiorias ao serviço dos governos europeus. Foi mais um discurso para surdos... Vamos ver-nos gregos?
http://www.youtube.com/watch?v=wg5SU_bDNsA&annotation_id=annotation_928343&feature=iv
Vejam o que as nossas TV's não mostram...e os nossos governantes escondem porque são cúmplices em Portugal de actos similares à Grécia. Vejam este filme e compreenderão porque o povo grego se levantou. É uma vergonha o que se está a passar na Grécia e poderão acontecer noutros países da UE como Portugal se deixar continuar a mesma política de beneficiar sempre os mesmos. E a pergunta incómoda é: e se nos limitássemos à informação veiculada pela quase totalidade dos nossos jornais e canais de TV alguém conheceria a vergonha aqui denunciada na Internet?
quarta-feira, junho 16, 2010
PORTUGAL...EX!
TRAPALHADA FISCAL
O problema destes cavalheiros (que desgraçadamente nos desgovernam) é que já nem sabem orquestrar, entre eles, as posições públicas.
O que se passou no caso do aumento dos impostos é, a todos os títulos, revelador da confusão legal (e mental?) desta camarilha no poder; parece que nem sabem os mais básicos princípios constitucionais da fiscalidade. Por isso, avançam primeiro com uma Tabela de Retenções de IRS de acordo com uma Lei ainda não apresentada nem discutida no Parlamento. Qualquer caloiro de Direito Fiscal sabe isto. O governo já se deve ter esquecido.
PORTUGAL, PAÍS SEGURO?
O padre de Montalegre e o Presidente da Câmara Municipal do Cartaxo são indivíduos pitorescos num Mundo contraditório.
Tenho dificuldade em encará-los como meros casos de polícia. O fenómeno da detenção ilegal de armas por estas pessoas, transcende essa análise.
É possível que tenham genuinamente medo. Sim, medo de um ambiente em que não se conseguem situar e pensam que a detenção de uma arma lhes dá a tranquilidade que não encontram noutros contextos sociais.
FMI, SEM FMI
Parece que o Governo, tomado de pânico pelas oscilações erráticas dos mercados, numa co-decisão “Blitz” com o governo Zapatero, pretendeu tranquilizar os parceiros e investidores (leia-se “predadores”) financeiros, para não exagerarem nos juros da dívida pública. Não só não o vão conseguir, como vai agravar a tendência recessiva da nossa economia, com as medidas de “austeridade” aprovadas, resultantes de um assustador autismo e de uma festiva irresponsabilidade em ano eleitoral, bem como de duas décadas de políticas financeiras e económicas delirantes, em que os ministros da Economia e Finanças – os mesmos que foram aconselhar (?) o Presidente da República, outro ministro das ex-Finanças!? – não perceberam o essencial: que a liberalização do comércio mundial e o fim das barreiras alfandegárias, e a aquisição da dívida pública, tornariam o Mundo refém da China. O cenário de ontem, é hoje uma realidade. O Governo ainda não terá atingido esse patamar de constatação; talvez há um ano – como disse Campos e Cunha – já fosse demasiado tarde. O doente vai provavelmente “morrer da cura”.
Sim, acho que as medidas de “austeridade” tomadas, não seriam exigidas pelo FMI. Foram um impulso, tardio, inoportuno, inadequado e irreflectido. Vamos pagá-la muito caro.
E este é o mesmo Governo que agora apregoa a necessidade do “contributo de todos” num esforço patriótico, quando antes detinha as verdades absolutas, alienando a massa crítica da população que poderia, num outro projecto de poder, ter sido conquistada e protagonizar mudanças efectivas e reformar o que precisava de ser reformado.
Não só as “reformas” foram um logro (Educação, PRACE, Justiça, Saúde, Emprego, Ensino Superior, SIADAP, Administração Pública, Fiscalidade, etc…), como arriscaria dizer que tudo está pior do que em 2004. Desgradaçamente!
EDUCAÇÃOZINHA, NO PAÍS DAS MARAVILHAS
ESTAMOS A CRIAR “ ALUNOS QUE NÃO SABEM LER, NEM ESCREVER “
Publicado em 16 de Junho de 2010, no SAPO.PT
--- “ Maria do Carmo Vieira quer dar uma “reguada” ao sistema de ensino português: através da Fundação Manuel dos Santos (presidida pelo sociólogo António Barreto), lançou esta semana o ensaio 'O ensino do Português'.
Sem pudor, a professora de Língua Portuguesa - já com 34 anos de experiência - dirige duras críticas ao baixo nível de exigência do actual sistema de ensino, aos professores, aos sucessivos Governos, às escolas. No dia em que arranca a primeira fase dos exames nacionais do ensino secundário, o SAPO foi ouvi-la.
P:- O ensaio “O ensino do Português” vem apontar o que está mal na educação em Portugal. O seu objectivo era dar uma “reguada” no sistema educativo?
R:- A escola não pode permanecer tal como está, porque já bateu fundo – e não só em relação ao ensino do português, mas em várias outras matérias. Estamos a ensinar na base daquilo que é fácil, do que não exige esforço, nem trabalho. Estamos a fomentar gerações e gerações de alunos que não pensam, nem sequer sabem falar ou escrever. Ao tornar a facilidade da escola comum para todos, um aluno que venha de um contexto familiar rico, do ponto de vista cultural, não vai ficar prejudicado, porque os pais hão-de ter sempre dinheiro para ele ir para explicadores ou para ir para boas escolas. Já aqueles que vêm de espaços mais fragilizados socialmente, esses sim é que vão ser torturados e explorados pela sociedade.
P:- Hoje, arrancam os exames nacionais. Também eles são um exemplo desse facilitismo?
R:- Sem dúvida. Não é preciso estudar para um exame. Basta ir com um pouco de sorte e, como aquilo tem muitas cruzes, às vezes é quase 1x2. Estes exames são áridos. Um aluno qualquer que vá fazer aquilo, está a fazer aquilo porque é obrigado a fazer.
P:- E, portanto, não surtem resultados do ponto de vista da aprendizagem?
R:- Tal como estão, creio que não.
P:- Também os programas escolares actuais partilham do mesmo problema?
R:- Os programas são feitos à base da mediocridade. Não têm um fio condutor, não têm um objectivo primeiro. É tudo solto. As coisas estão soltas, e sei isso pela disciplina de Português, que lecciono. No ensino da Literatura, não há uma contextualização do autor. Quando um professor pede a um aluno para estudar a contextualização, encaminha-o para a Internet, quando deve ser o professor a exprimir isso. Se assim não for, o professor não serve para nada.
P:- E, portanto, há um esvaziamento das funções do professor?
R:- Sem dúvida. Esse esvaziamento não atinge apenas os conteúdos, mas também os próprios professores. É quase como nos desertificarem daquilo que nós somos, daquilo que nós temos para dar aos nossos alunos, do nosso estudo, da nossa dignidade enquanto professores.
P:- Nesse caso, quais são os caminhos alternativos onde se deve apostar?
R:- A competência científica de um professor tem que ser novamente privilegiada. Neste momento, não é. É mais prejudicial um aluno ter o professor “bom camarada”, mas que não sabe nada e que nada sabe transmitir, do que ter um professor que talvez não seja muito bom pedagogo, mas que tem muita competência científica. É preciso também insistir na formação dos professores: não sabem escrever, não sabem pensar. Gostam, não daquilo que é artístico, mas daquilo que é bonito… Fazem das crianças estúpidas e intuem aquilo que as crianças não são. Qualquer criança responde à exigência, se vir que o seu professor também a estimula.
P:- Tendo em conta tudo o que disse: os pais podem ou não confiar na educação que o sistema hoje dá aos seus filhos?
R:- Não podem. E nem os pais não podem ficar descansados. O que este Ministério tem feito, e isso é muito nocivo, é libertar os pais das suas preocupações com os filhos. Parece que tudo fica entregue à escola… Mas os pais são muito importantes no acompanhamento do estudo dos seus filhos. Não é correcto que um aluno passe para a quarta classe sem saber ler, nem escrever. Os pais têm que acompanhar isso, têm que ver que alguma coisa não está a ser bem feita. Os pais têm de se voltar a interessar.
P:- Defende que as más práticas no sistema educativo já se arrastam desde 2003. Aponta o dedo a algum Governo em particular?
R:- Fui professora a partir de 74/75 e o que se reparava é que, na década de 80, estas teorias já estavam em voga. Se os alunos atingissem os objectivos mínimos, podiam passar – e os objectivos mínimos eram nada. Os alunos foram passando sem saber nada. Este miserabilismo começou nessa altura e agora acentuou-se. Acentuou-se em 2003/2004 com a implementação desta nova reforma. Desde aí, tem sido uma “guerra”...
P:- De que resultam estas más opções em matéria de política educativa?
R:- É evidente que neste momento se trabalha para as estatísticas. Houve o desejo de impor uma série de teorias de pedagogia que são perfeitamente caducas. É contra essas teorias que são defensoras da apologia do presente, dos programas televisivos, da subestimação da literatura que eu me pronuncio, porque não condizem com os interesses dos alunos. E as grandes vítimas de tudo isto são os alunos, enquanto o Ministério está a desrespeitar a sua função de Ministério.
P:- Por isso, defende no seu livro que algumas práticas educativas tradicionais deveriam ser retomadas?
R:- Por exemplo, quando se diz que não se deve memorizar, está a pôr-se em causa uma capacidade incrível das crianças que é a memória e a tabuada é para memorizar. Por isso mesmo, é que eu tenho alunos de 12.º ano que às vezes nem sabem quanto é 9x3. Há alunos que não me sabem conjugar os verbos: só me dizem presente, passado e futuro. E isso é porque não se estuda a gramática desde o início.
P:- Diz que a falta de paz no sistema educativo contribuiu para a degradação da sua qualidade. Ainda assim, pede aos professores que desobedeçam às actuais directivas. Em que ficamos?
R:- Esta ‘guerra’ foi suscitada pela imposição de tanta novidade. Era o novo só pelo novo e os professores nunca foram convidados a intervir. Só uma facção – aquela que era a favor destas novas teorias. O que eu peço no meu livro é que é preciso desobedecer a isto: não posso obedecer a quem me vem dizer que eu tenho de ser compreensiva com os erros ortográficos. A paz é um bem essencial para se ensinar, mas se obedecermos a tudo isto, estamos a abandalhar a nossa profissão e isto não é correcto, nem connosco, nem com os próprios alunos. Há momentos em que é forçoso desobedecer, nem que nos ameacem. A mim ameaçaram-me várias vezes…
P:- Quem a ameaçou? Pais?
R:- Não. (silêncio)
P:- O sistema?
R:- O sistema, precisamente.
P:- Mais recentemente, criticou também o programa Novas Oportunidades, pelo facilitismo com que atribuiu competências…
R:- Trata-se de uma fraude e de uma falta de respeito para com as pessoas que acreditaram no programa, Conheço inúmeros alunos que pensavam que voltavam à escola para aprender e aperceberam-se de que não iam aprender nada. Não se faz o 7.º, 8.º e 9.º em três meses, não se faz o 10.º, 11.º e 12.º ano em seis meses. Isto não tem qualquer equivalência, porque se esses alunos fossem questionados, não sobre as matérias até do 10.º,11.º e 12.º, mas sobre qualquer coisa minimamente inteligente, estavam a zero. Eles são a personificação da ignorância, mas uma ignorância que é fomentada pelo próprio sistema e, por isso mesmo, eu digo: é preciso desobedecer a isto.
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